Estudante de curso técnico paga estudos vendendo canetas na Paraíba

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A estudante campinense, Natália de Andrade, idade não informada, da Universidade Paulista (Unip), que tem um núcleo em Campina Grande, na Paraíba, é estudante da 5ª cadeira do curso técnico de enfermagem.

Toda semana ela e alguns colegas, que enfrentam dificuldades para pagar seus estudos, saem pelas cidades paraibanas vendendo canetas. A unidade custa R$ 2,00.

Essa semana a jovem esteve trabalhando em Patos, no Sertão do mesmo estado. “O que nós arrecadamos ajuda no complemento para pagar a nossa mensalidade”, disse Natália.

A educação superior no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC, a educação superior no Brasil está concentrada, principalmente, nas instituições privadas. Elas já detêm 88% do ensino superior, contra apenas 12% das instituições públicas.

Dados do Inep comprovam que o Brasil tem hoje cerca de cinco milhões de estudantes universitários, o que representa em média apenas 13% dos jovens do país, um dos menores índices de acesso em toda a América Latina. Desses estudantes, 74,6% estão matriculados na iniciativa privada, enquanto que em países como a Argentina e Venezuela, essa inserção é bem maior: 19,3%, e 41%, respectivamente.

Essa dura realidade brasileira tem levado milhões de estudantes, na sua maioria, filhos de pobres, a buscar alternativas para pagar suas mensalidades nas universidades privadas, já que as vagas nas universidades públicas estão cada vez menores.

O Programa Universidade Para Todos (ProUni), do Governo Federal, que paga mensalidades para estudantes de baixa renda que passam nos seus testes, também não atende a todos que precisam estudar nas instituições particulares.

Edição de texto: Jean Philippe | Com informações de Jozivan Antero e do MEC | Imagem: Patosonline.com

1 comentários:

Anônimo disse...

Pena não, ajuda sim!
Lamentável. Isso é resultado da falta de oportunidade de ensino de qualidade, só quem estudou em escolas públicas sabe como é difícil a dificuldade do aprendizado. Depois que a verba para educação deixou de ser federal e passou a ser estadual, os governos se apossaram cada vez mais das verbas que vem para a educação, promovendo uma valorização das instituições privadas e uma degradação das instituições de ensino públicas.
A corrupção em larga escala desvaloriza o professor e desmotiva o aluno estudar. Antes da década de 70 tínhamos uma escola pública de qualidade, mas com a banalização feita pelo regime militar e com os governos neoliberais, a valorização do setor público vai de mal a pior.
Os 88% dos alunos de escola particular, estatisticamente ingressam com maior facilidade nas instituições federais; já os que tiveram menos oportunidade ingressam em instituições particulares. Nesse sentido, Se verificarmos os 12% de alunos que entram nas federais vamos ver que a maioria são pessoas de uma boa condição financeira ou são pessoas que não tiveram um ensino bom, mas que estudaram bastante para conseguir sua vaga.
Além disso, devemos saber, para não cair em um argumento meritocrático, que os recursos para educação não tem efeito imediato, ou seja, recursos que são empregados hoje no setor educacional vão surtir efeito em uma média de mais ou menos 20 anos. Como no Brasil não se emprega na educação, acho que daqui a uns 100 anos, possamos ter uma educação melhor.
O Japão se reconstruiu em 30 anos, depois de ser arrasado pela segunda guerra mundial, teve seu exército e sua população reduzida a cinzas. Porém, com o investimento massivo em educação conseguiram, mesmo morando em uma ilha, onde toda semana tem terremoto, se tornarem a terceira potência mais rica do planeta. ora! o Brasil é um país privilegiado do ponto de vista geográfico, com um povo criativo; porém, lamentavelmente com um número de analfabetos funcionais bastante grande.
Não é suficiente apenas votar e querer que o estado faça tudo, ou seja ficar dizendo a tradicional frase " não temos educação porque o governo nos rouba", mas cobrar uma educação de qualidade, ir as ruas, fazer manifestações, se informar. Enquanto ficarmos de braços cruzados nada mudará, a dissimetria na educação continuará a existir.
A educação é então a pedra angular, cujas instâncias de atuação pode diminuir a desigualdade, promover e formar pessoas conscientes. Com melhor de educação teremos uma saúde melhor, com profissionais médicos qualificados, uma melhor segurança, pois tira-se o bandido da rua para colocá-lo na escola. Finalmente, nós brasileiros não queremos educação de qualidade, ou se queremos, colocamos nossos desejos de mudança apenas dentro de nossa mente, sem manifestação ou concordância nenhuma. Geração inteiras são deixadas para trás, trabalho infantil, exploração sexual, doenças não remediadas pela própria sociedade.
Somos nós, os monstros disso tudo, nós brasileiros que votamos em cidadãos que consideramos pessoas divinas. Não! quero educação de qualidade, quero sair as ruas e ver pessoas informadas, comentando os problemas do país, não quero ver mais enuviar minha testa e ver tanta manipulação, massa de manobra. A única saída de transformar isso é cobrar, se as palavras fazem-se incapazes, a força faz-se necessária. Viva o hoje, mas transforme o amanhã, saber é poder, e um poder benévolo quando distribuído a todos.

Pensem nisso! Educação não é brincadeira

Postar um comentário